Olá leitores do Chá da Tarde, é uma honra ter um texto de minha autoria sendo publicado neste blog tão intenso em seu trabalho. Agradeço desde já a oportunidade.
Me chamo Vinicius Augusto, tenho 18 anos e sou de São Paulo Capital, estudo e trabalho e nas horas vagas o que mais gosto fazer é expressar através de texto tudo aquilo que sinto. Vamos lá?.
Secretamente ela
Como se o que precisasse fosse apenas minhas asas pra voar.
Seria um deletar as coisas sem medo, sentir o pulso de minhas próprias idéias e conseguir conviver com meus erros mais intragáveis. Dar valor as pessoas que realmente mereciam e ao que realmente estava perdido. É a necessidade de um viver sem depender de absolutamente ninguém.
Talvez fosse isso que precisasse ou no fundo quisesse provar.
A menina do apartamento ao lado, me faz sentir todo o seu amor pelo rock enquanto o esculta, quando nossos olhares se cruzam rapidamente no elevador, seus olhos me dizem que já se apaixonou, mas deixou de lado todo esse amor. Seu coturno é tão pesado e sua maquiagem é forte demais, seus lábios não se curvam em nenhum movimento, tento, mas não consigo dar bom dia com medo dela não responder. Ela esculta Wasting Love, e eu secretamente me pergunto se ela já foi feliz. O elevador chega ao térreo e ela sai sem olhar pra trás. Talvez a forma que ela pisa com seu pesado coturno deixa-me um pouco espantado. Impondo respeito até nos desconhecidos, ela deixa um ar de quem já aprendeu com seus próprios erros e por opção prefere continuar errando.
Os garotos do prédio não enxergam que dentro dela tem um coração acelerado batendo forte que fortalece suas mágoas se exteriorizando nos seus olhos marcados, que um dia foram transformados de um passado alegre, inocente e apaixonada para mágoa, depressão, vazio, perdas, desilusão, tristeza e solidão. Sim, ela já foi feliz, e um dia ela soube o que era amar.
Seu rosto era o que sempre quis ter, os olhos de quem já chorou por milhares de noites e no dia seguinte acordou sem ao menos se lembrar. Seu seu nome e o número do seu apartamento, já observei seu jeans velho que deve ter sido adquirido ou roubado de um brechó, e que seu gosto musical vai do rock ao rock, sendo sua banda predileta Iron Maiden, mas seu celular vibra com canções da sua adolescência. Seus batom vermelho Chanel é para os dias chuvosos e que seu melhor amigo é seu cachorro que não deve acha-la sua melhor amiga, pois comeu seu coturno vermelho e também o buquê de rosas vermelhas que fora deixado na porta de seu apartamento.
Gostaria de penetrar na sua mente perturbada e entender como seus olhos de um preto penetrante enxergam o mundo. Se pudesse ler seu diário - caso ela tivesse um - descobriria seus segredos e seus acertos, saberia tudo sobre os meninos que já conseguiram conquistá-la.
O buquê de rosas vermelhas destruídos, a carta em sua porta, as ligações que ela supôs ser engano, o açúcar emprestado e os passos no corredor que fazia sem o cachorro latir e até a bomba na escada de incêndio foram eu, na minha tentativa de me aproximar. Passei oito dias e sete noites observando seus passos e o volume de sua fala, na frequência que ia a padaria e o que trazia nas sacolas. Comecei a me fissurar e de alguma forma me encontrava apenas nela, buscando seus olhos negros. Enxergava nela o que apagava de mim, não queria perseguir seus sonhos ou viver sua vida. Não queria me apaixonar pelos CD's que ela jogou do terceiro andar. Só queria estar ali, para observar o seu dia-a-dia.
